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Jornal Regional
A ERA EDÉSIO JUSTEN - Entrevista exclusiva e polêmica com o prefeito
A ERA EDÉSIO JUSTEN - Entrevista exclusiva e polêmica com o prefeito

O prefeito de Santo Amaro da Imperatriz, Edésio Justen (PSDB), em entrevista exclusiva ao repórter Júlio Fantin, do Jornal O Regional, abriu o jogo sobre o atual momento de sua administração. Revelou algumas das ações que estão sendo realizadas e metas futuras, além de fazer um balanço de sua administração, em quase 18 meses no cargo. Edésio se mostra orgulhoso de sua atuação, mas também se revolta e se indigna, principalmente quando o assunto é a parceria entre a Casan e a prefeitura.

O Regional: O senhor acaba de adquirir um novo caminhão de lixo para o município. Como funciona a coleta hoje?
Edésio: Quando assumi, Santo Amaro tinha apenas um caminhão velho de lixo, hoje consegui adquirir dois caminhões, um novo e outro semi-novo. A prefeitura faz a coleta e deposita o lixo no bairro Aririú, em Palhoça. De lá, o lixo é levado compactado por uma outra empresa até Biguaçú. Este sistema está funcionando bem e com os novos caminhões ficou bem melhor do que antes.

O Regional: Há boatos que o vereador Maneca possa assumir o comando do Hotel Caldas. Esta é sua arma para alavancar o turismo em Santo Amaro?
Edésio: Não, não há nenhuma chance do Maneca assumir o Hotel Caldas hoje, quem sabe futuramente, devido possíveis novas alianças. Estamos trabalhando muito com propagandas e divulgação do nosso potencial turístico, dentro e fora da região. Esta é nossa verdadeira arma.

O Regional: Quando ainda vice-prefeito, o senhor participou junto com seu ex-companheiro Zé Turnes, na elaboração de um projeto para ampliação do transporte público em Santo Amaro. Os vereadores já aprovaram a abertura da licitação para linhas municipais. Porque até agora, nada saiu do papel?
Edésio: A empresa Imperatriz quer muita vantagem pra ela. Eles querem que a prefeitura pague aluguel para eles e a prefeitura não deve nada a eles. Queremos que o ponto final passe a ser em Caldas da Imperatriz. Iríamos fazer uma licitação “interbairros”, mas não deu certo. A Imperatriz disse que não era viável para ela. Vamos buscar uma nova forma para lançar a licitação, ainda este ano, para que possamos fazer um sistema de ônibus nos bairros, sem terminais, apenas com circulares, como acontecem em algumas cidades do interior.

O Regional: Quando o senhor era vice, muitas reclamações ocorriam quanto ao salário dos funcionários públicos. Qual a situação hoje? Melhorou ou trazer para seu governo, uma das representantes do sindicato fez com que os sindicalistas perdessem forças para reclamar?
Edésio: O que eu fiz para os servidores, prefeitura alguma fez. O salário deles estavam defasados em 7,8%. Já dei 11,5% de aumento e pode ser que daqui há pouco daremos mais um pouco. Na administração do Zé, ele tirou o ordenado dos servidores, isso eu nunca vou fazer.

O Regional: Como está a arrecadação do município hoje?
Edésio: Hoje ela voltou ao mesmo patamar de 2008, mas ano passado eu fiquei desesperado, pois não chegamos a receber nem de 45% dos contribuintes. Neste ano, o IPTU foi pago por 62% da população, mas mesmo assim, a arrecadação está péssima.

O Regional: Com a vinda de dois novos ônibus para o transporte escolar, será suficiente para acabar com o problema de falta de segurança dos alunos?
Edésio: Locamos três ônibus para fazer o transporte escolar e agora chegará dois ônibus novos para ajudar no transporte dos nossos alunos. Mesmo assim, ainda precisaríamos mais veículos para acabar de vez com a superlotação, pois temos muitos alunos.

O Regional: O que foi feito para melhorar o setor de Saúde Pública no município?
Edésio: Posso garantir que não há mais reclamações nos postos de saúde. E nosso hospital, hoje com a ajuda da prefeitura realiza até cirurgias. Repassamos todo mês R$ 22 mil ao Hospital São Francisco. A Saúde comigo está sendo levada a sério.

O Regional: Como é seu relacionamento com o ex-prefeito José Rodolfo Turnes, após a Eleição de 2008?
Edésio: Continuo amigo do Zé. Passamos 16 anos juntos. Ganhei a eleição, mas não há motivo para mágoas de nenhuma parte. Quando ele ficou doente fiz questão de ir visitá-lo.

O Regional: Quais as próximas ações de sua administração?
Edésio: Uma escola municipal no bairro São Francisco deve ser inaugurada ainda neste semestre. Já no bairro Fabrício, temos uma creche para inaugurar em junho. Começamos esta semana as obras de uma ponte entre Águas Mornas e Santo Amaro e na próxima semana começa a construção da sede da Terceira Idade, na avenida Beira Rio, que conseguimos liberação para sua construção, após muitas polêmicas.

“A Casan diz que não temos direito de reclamar, porque ela não nos deve mais nada, mas é mentira. Santo Amaro está sendo roubada”!

O Regional: Qual o relacionamento da prefeitura com a Casan? A empresa que em 2006 fechou contrato de 30 anos com Santo Amaro vem cumprindo com suas funções?
Edésio: O presidente da Casan, Valmor De Luca, diz que não deve mais nada para Santo Amaro. Hoje, a única coisa que eles fazem é pagar os remendos onde eles mesmos precisam fazer obras.

O Regional: Pelo contrato de renovação da concessão dos serviços de água e saneamento, a Casan se comprometeu em realizar 75% de rede de esgoto tratado no município, além de viabilizar a construção de uma barragem, que serviria também para geração de energia. Estas cláusulas do contrato também não foram cumpridas?
Edésio: A Casan diz que não temos direito de reclamar, porque ela não nos deve mais nada, mas é mentira. Santo Amaro está sendo roubada. Não chegamos hoje, quase quatro anos depois da renovação do contrato há 17% de rede de esgoto. Quanto a barragem, eles têm até novembro para começar as obras e mais quatro anos para concluir, mas neste ponto, eles estão esbarrando nas licenças ambientais. O De Luca nos prometeu na época que investiria em quatro anos, R$ 12 milhões em saneamento e até agora nada!

O Regional: Mesmo sem saneamento, pelo menos os 7,5km de pavimentação asfáltica, nas ruas São Sebastião e João Jacinto Machado, bem como os 4km, na Estrada da Reta dos Pilões, foram realizados?
Edésio: Sim, as pavimentações foram feitas, mas muito mal-feitas. A lei diz que a espessura do asfalto não pode ser menor do que 4cm e eles fizeram uma camada bem fina que não chega a 2,5cm, em cima dos paralelepípedos.

O Regional: A água que Santo Amaro bebe, não é a mesma que as demais cidades tomam?
Edésio: Eu acredito que mais do que 50% da água que Santo Amaro bebe hoje é do Rio Cubatão, uma pequena parte da água vem de Caldas da Imperatriz e uns 35% do sistema vem de Pilões. A água que sai aqui de Santo Amaro abastece a região e a cidade, além de não receber nada por isso, fica também com uma água de qualidade questionável, enquanto que as demais cidades bebem uma água melhor.

O Regional: Para finalizar o caso Casan. Se Santo Amaro está sendo “roubada”, qual é a ação que será tomada pela prefeitura?
Edésio: Tentamos muitas reuniões, junto com o vice-prefeito, o presidente da câmara e nada. Dizem que não temos direito a mais nada. Não concordamos com isso, pois além do contrato não estar sendo cumprido na íntegra, também somos responsáveis para abastecer grande parte da Grande Florianópolis. Já estamos estudando uma forma para entrarmos na Justiça contra a Casan e se for o caso até cancelar o contrato.


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